Dinheiro na mão,
casamento marcado
De 2003 a 2005, número de uniões cresceu 10,7% em São Paulo,
acompanhando aumento de 11,5% da renda
Carina Flosi Domingo, 7 outubro de 2007 - O Estado de São Paulo
Agora já dá para
casar. Essa frase nunca foi tão dita pelos noivos como
atualmente. De 2003 a 2006, a renda do trabalhador cresceu 11,5%, e
o número de casamentos em São Paulo subiu 10,7% de 2003 a 2005
(pelos últimos dados disponíveis no Estado), reforçando a tendência
de que os casais - e suas famílias, que dão uma ajudinha nessa hora
- estão aproveitando a estabilidade econômica para selar a tão
sonhada união.
No Estado de São Paulo, de 1995 até 2005, cresceu 20% o número de
casamentos registrados no civil, segundo a Fundação Sistema Estadual
de Análise de Dados (Seade). No Brasil, são 750 mil uniões
celebradas todos os anos.
Na capital, igrejas e
bufês badalados têm uma agenda lotada até 2009. E o setor
comemora, desde 2003, uma alta de 15% nos negócios a cada ano,
segundo José Luis de Carvalho César, organizador da Expo Noivas, a
maior feira do País.
De acordo com ele, os micro e pequenos empresários estão ganhando
cada vez mais espaço no setor. “Hoje, eles têm mais clientes e podem
contratar freelancers e colaboradores. Afinal, o casamento é muito
dinâmico, exige diversos profissionais para aquelas cinco, seis
horas de celebração.” São boleiros,
floreiros, recepcionistas, pessoas especializadas que trabalham
às vezes somente nos fins de semana.
“O número de casamentos acompanha o crescimento da economia. Somente
nessa
festa a família se une em um esforço concentrado. Há um
fenomenal rateio familiar”, explica o coordenador da feira.
Para o professor de Psicologia da Universidade de São Paulo e autor
dos livros Mapa do Amor (para quem quer casar) e Para Viver um
Grande Amor (para permanecer casado), da Editora Gente, os fatores
econômicos são uns dos mais discutidos pelos “pombinhos”. “Percebo
que muita gente estava esperando a situação financeira melhorar para
casar. Há os casais que namoravam havia anos e agora conseguiram
juntar o dinheiro para a celebração. E há as pessoas que já moravam
juntas e finalmente decidiram gastar com a festa”, explica o
especialista em relações amorosas.
O psicólogo defende que o pacote financeiro
cerimônia-festa-lua-de-mel pode ser o passaporte para a felicidade.
“E se há dinheiro para isso, não dá para esperar.” Ele sustenta: “Os
rituais de passagem ajudam as pessoas a deixar os papéis passados e
assumir integralmente os novos. O morar junto não tem essa força.
Viver a emoção de casar e mostrar à família e à sociedade que você
mudou de status tem um preço. E hoje sentimos pelas pesquisas de
mercado que é possível pagar.”
Estatística do IBGE revela que os divorciados - tanto homem como a
mulher - estão procurando mais o segundo casamento. Segundo Marcia
Possik - diretora da Marriages, empresa que organiza casamentos e
eventos, e criadora do Clube das Noivas, maior grupo de discussão
sobre casamento da América Latina -, no orçamento do segundo ou
terceiro casamento o bolo pode até ficar de fora, já que o casal já
viveu o ritual antes, mas a festa tem de acontecer. “Trocamos cerca
de 12 mil mensagens por semana no clube. Nossas pesquisas mostram
que a futura casada aproveita esse momento único para se entregar
aos sonhos de uma vida inteira. Pode custar o carro da família ou
anos de investimento. Para ela não importa.”
O preço do casamento, claro, ainda depende do bolso de cada casal.
Especialistas e consultores do setor garantem que, em São Paulo, é
possível fazer uma festa modesta por R$ 5 mil, incluindo vestido de
noiva, cerimônia, festa e viagem de lua-de-mel. “Mas as pesquisas
mostram que o orçamento do casamento para um casal de classe média
está na faixa dos R$ 20 mil a R$ 50 mil”, explica o organizador da
Expo Noivas, José Luis de Carvalho César. “É um mercado que
movimenta R$ 7,5 bilhões por ano só no Brasil”, acrescenta a
consultora Márcia Possik, que faz cerca de 70 festas de casamento
por ano.
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